3 – O “conceito” Surface
Muitos dizem que o Surface RT é o tablet ARM que melhor desempenha o papel de PC… e eu concordo. Não há nenhum outro tablet ARM que, à saída da caixa, esteja tão bem preparado para uma diversificada quantidade de tarefas como o Surface.
A rapidez e facilidade com que se coloca uma capa para utilizar como teclado, a simplicidade com que se abre o Kickstand, a existência de uma porta USB para ligar o periférico preferido (como um rato, teclado, Webcam, impressora ou até um HUB com portas para tudo isso em simultâneo), o acesso permanente ao Ambiente de trabalho tal e qual é utilizado no PC, a suite de trabalho mais popular e completa de sempre – o Microsoft Office 2013, claro está – que está disponível em todo o seu esplendor… e como não poderia deixar de ser, o conjunto de aplicações nativas do Windows, que todos conhecemos.
Não me vou referir em detalhe ao Windows 8 RT. O Windows 8 é já amplamente conhecido, já publicámos dezenas e dezenas de artigos relacionados com esse sistema operativo, e o Windows RT não é mais que o Windows 8 compilado para processadores de arquitectura ARM. Tem algumas adaptações e restrições, está protegido contra instalação de aplicações provenientes de fontes desconhecidas e está limitado às aplicações que existem na Loja de aplicações online. Os conteúdos Flash, que anteriormente tinham algumas restrições e só alguns (poucos) sites eram suportados, desde o passado dia 12 de Março com a actualização do IE10, já correm sem problemas todos os conteúdos Flash.
O conjunto de movimento implementados, para interacção com a interface moderna, são um must para utilização com os dedos. Todos eles têm início numa das extremidades da moldura: extremidade inferior ou superior para abrir o menu; extremidade superior, desde o topo até à base, para fechar uma aplicação; extremidade lateral esquerda para alternar entre uma aplicação, colocá-las em multi-janela ou mostrar a barra lateral com as últimas 5 aplicações abertas; e a extremidade lateral direita, que mostra a Charms Bar.
Na verdade, todos estes movimentos estão disponíveis em qualquer Windows 8, desde que tenha uma interface táctil como entrada, ou em qualquer outro tablet com Windows RT. No entanto, fazemos referência aqui aos diferentes movimentos pois o Surface é, de longe, o mais popular dispositivo de interface táctil com o Windows 8.
4 – As aplicações
Quem é utilizador do Windows 8 já está familiarizado com as aplicações incluídas nesse sistema operativo. O Windows RT não é excepção. Inclui um conjunto interessante de aplicações de design moderno e depois as vulgares aplicações que acompanham o Windows, incluindo o Explorador do Windows, Painel de Controlo, Windows Media Player, Linha de comandos e todas as outras aplicações.
Actualmente, um dispositivo vive de aplicações, é isso que lhe enriquece a “alma”, e cada utilizador tem um conjunto de aplicações adequado às suas necessidades. Mas… e se esse conjunto não satisfizer a exigência?!
Como já referido, a instalação de novas aplicações está dependente da Loja de aplicações do Windows. É certo que essa limitação é uma versão da receita de sucesso, que já existe no ecossistema Apple e Google, e onde a Microsoft está a trabalhar arduamente para ter também uma loja de aplicações competente e ao nível da concorrência.
Recentemente foi dado a conhecer que a Loja de aplicações Windows chegou às 50 mil aplicações, um número já bastante interessante mas longe da concorrência, essencialmente em variedade e riqueza de conteúdos.
Os programadores são bastante incentivados a apostar na plataforma, até com alguns valores monetários já oferecidos pela Microsoft, e é provável que brevemente a Loja Windows seja a metrópole da estreia de grandes aplicações… mas para já o que está à vista é que é uma Loja de aplicações modesta, pouco diversificada e em claro desenvolvimento.
Aplicações como Facebook, Instagram, VLC, Google Chrome, Flipboard, YouTube e todo um conjunto de aplicações mais que enraizadas nas outras plataformas, simplesmente ainda não existem na Loja Windows e, consequentemente, não poderão ser utilizadas no Windows RT. Recorrendo ao Jailbreak é possível correr algumas aplicações interessantes, de ambiente Desktop, que já foram compiladas para processadores de arquitectura ARM… o que é uma óptima notícia, embora não oficial.
E porque o Windows não é Windows sem o belo do “ecrã azul da morte” (ou BSOD – Blue Screen of Death), também isso é uma característica no Surface. Aconteceu enquanto copiava os screenshots para a Pen Drive USB.
Em relação ao Browser, o Internet Explorer, também aqui está disponível na versão de design moderno, adequada para utilização com os dedos, e a versão normal Desktop para utilização com o rato.

É lamentável a escassa configuração que é possível fazer no teclado presente no ecrã. Quando surge, ocupa imediatamente metade do ecrã, num tamanho enorme, sem possibilidade de o configurar. Há uma opção, que lança o teclado em menor dimensão e dividido ao meio (metade das teclas para cada lado), mas torna-se bastante pouco flexível e não existem, na Loja online, aplicações teclado tal como no Android. O reconhecimento da caligrafia, também parte integrante do mesmo teclado, funciona muito bem.
5 – Câmaras
Um tablet nunca foi, não é, e muito menos será apropriado para capturar fotos. Não deixa de ser relativamente vulgar ver algumas pessoas com o tablet nas mãos e os braços estendidos para posicionar a câmara e capturar a foto, ou vídeo. No Surface, é claro que também isso é possível mas o propósito das duas câmaras existentes não é claramente esse.

O Surface insere-se num propósito de trabalho, de ligação ao mundo e facilidade de comunicação. É esse o propósito da existência das câmaras, ambas de 1.2MP e vídeo a 720p. A vídeo-chamada é a verdadeira utilidade das câmaras, quer na câmara frontal (posicionada ao centro, no topo, na posição horizontal) quer na traseira.
Há um pormenor interessante que tem em conta o ângulo que o Surface faz com a vertical, enquanto é utilizado no Kickstand. São 22º de inclinação com a vertical e é esse mesmo ângulo que a câmara traseira faz com a horizontal. Confuso?! Não, é simples, basta pensar que o Surface, ao estar suportado com o Kickstand e consequentemente inclinado, tem a câmara a apontar exactamente para a frente, e não para a superfície onde o Surface está assente.
Dessa forma, numa vídeo-conferência, as câmaras podem ser facilmente alternadas tendo em vista a vantagem em não ser necessário, sequer, mudar a posição do tablet para capturar ambos os planos.
Ainda assim, fiz questão de capturar alguns exemplos que deixo abaixo.



Resumindo, a qualidade das fotos é claramente má, mas não isso considero um ponto negativo. Definitivamente Um tablet não deve servir de máquina fotográfica.
Índice
« página anterior pág. 2/3 página seguinte »






















