Mais de mil URLs à venda redirecionam para páginas potencialmente perigosas

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Quando as empresas deixam de pagar pelo seu domínio de Internet, por vezes estes podem ser comprados por um serviço e colocados à venda num site de leilão. No entanto, existem inúmeros que estão a ser captados por cibercriminosos para criar esquemas maliciosos de forma a obter lucros.

Numa investigação foram detetados mais de mil domínios inativos que redirecionam os visitantes para páginas identificadas como perigosas.

Mais de mil URL à venda redirecionam para páginas potencialmente perigosas


Há um momento em que alguns domínios de Internet deixam de ser pagos. O que acontecer é que, nestes casos, podem ser comprados por um serviço e colocados à venda num site de leilão, os chamados auction sites.

Assim, os utilizadores que tentam visitar a página inativa são redirecionados para uma plataforma de leilão percebendo assim que o domínio está à venda (ou, pelo menos, deveria estar). No entanto, ao substituir o stub (fragmento de código) por um link malicioso, por exemplo, os cibercriminosos podem criar um esquema para infetar os utilizadores ou gerar lucros à sua custa.

Mais de mil URLs redirecionam para páginas potencialmente perigosas

Ao analisar uma ferramenta de assistência de um popular jogo online, investigadores da Kaspersky detetaram que a aplicação tentava transferi-los para um URL indesejado. Verificou-se depois que esta hiperligação estava à venda num site de leilão. No entanto, em vez de redirecionar os utilizadores para a página correta que exibe o domínio para venda, o redirecionamento encaminhava-os para uma outra página.

Uma análise mais profunda fez com que se encontrassem mais de mil domínios colocados à venda em várias plataformas de leilão. Estas cerca de mil páginas reencaminhavam os utilizadores para mais de 2500 URLs indesejados, sendo que muitos deles descarregaram o trojan Shlayer.

O trojan Shlayer trata-se de uma ameaça para macOS generalizada que instala adware nos dispositivos infetados e é distribuída por páginas web com conteúdo malicioso.

Entre março de 2019 e fevereiro de 2020, 89% destes redirecionamentos foram feitos para páginas relacionadas com publicidade e 11% páginas de malware. Os utilizadores, nestas páginas, foram solicitados a instalar malware ou a descarregar documentos MS Office e PDF infetados. Noutros casos, as próprias páginas continham código malicioso.

De acordo com a Kaspersky, o raciocínio por detrás deste esquema de várias camadas pode ser de natureza financeira: os hackers recebem receitas por conduzir o tráfego para páginas – tanto para aquelas que são páginas de publicidade legítima como para aquelas que são maliciosas.

O malvertising

Esta tática é conhecida como “malvertising” (publicidade enganosa). Por exemplo, uma das páginas maliciosas descobertas recebeu, em média, 600 redirecionamentos em apenas 10 dias. Neste caso, é o mais provável é que os criminosos recebam um pagamento com base no número de visitas gerado. Já no caso do trojan Shlayer, os hackers que distribuem o malware receberam um pagamento por cada instalação num dispositivo.

Estima-se que este esquema de ataque também seja resultado de uma falha na filtragem do anúncio do módulo que exibe o conteúdo da rede de anúncios de terceiros.

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