Tribunal de Lisboa anula cláusulas em contratos de crédito! Culpa… letra pequena

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Segundo foi hoje noticiado, o Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa procedeu à anulação de dezenas de cláusulas, em especial de automóveis. Segundo o que foi revelado, tal anulação deveu-se ao o tamanho reduzido da letra. Sabia que há tamanhos de letra mínimos para contratos?

Tribunal


É proibido, desde 2021, redigir contratos com letras de tamanho pequeno

De acordo com o CM, o Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa considerou ilegais dezenas de cláusulas de vários tipos, de condições exigidas aos clientes pelo BNP Paribas Personal Finance, S.A, financiador de créditos da Cetelem e da Worten, Sport Zone e Continente.

É proibido, desde 2021, redigir contratos com letras de tamanho inferior a 11 ou a 2,5 milímetros, e um espaçamento entre linhas inferior a 1,15. De acordo com o tribunal de Lisboa, há cláusulas contratuais que têm “um tipo de letra de tamanho reduzido que torna a respetiva leitura particularmente difícil e cansativa por parte dos aderentes [em vários créditos, como o automóvel]”.

O Presidente da República promulgou em 22 de maio de 2021 esta alteração legislativa que entrou em vigor a 25 de agosto.

Segundo escreve o CM, foram anuladas as seguintes cláusulas..

  • o cliente “obriga-se a reembolsar a instituição de crédito de todas as quantias e/ou despesas pagas ou devidas por esta antes da entrada em vigor do contrato [ALD Novos]”
  • a instituição de crédito “reserva-se o direito de, a qualquer momento, alterar ou retirar os benefícios inicialmente atribuídos [nas condições gerais de contrato da Cetelem]”.
  • “a introdução e validação do PIN pressupõe o uso do cartão pelo cliente, salvo prova em contrário [cláusula de contratos de crédito e fidelização Worten, Sport Zone e Continente]”.
  • “o cliente confessa-se devedor à instituição de crédito da quantia financiada, juros, tributos, encargos e outras despesas emergentes do contrato [cláusula de crédito automóvel/usados]”.
  • “o extrato de conta é o documento de dívida do cliente e é considerado correto se este não reclamar, por meio de carta registada com aviso de receção [crédito em conta-corrente]”.

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  1. Avatar de Filipe
    Filipe

    Se não for a letra pequena, são 50 folhas/100 páginas.

    1. Avatar de Traveller
      Traveller

      Nos dias de hoje já é digital não há qualquer problema de serem 50 ou 100 folhas

      1. Avatar de Antonio Ferreira
        Antonio Ferreira

        se assinares sem ler nada, até podem ter 1000 folhas para ti. Como se o problema fosse o ser em papel.

      2. Avatar de Tretada
        Tretada

        No digital realmente não há qualquer problema em serem 50 ou 100 páginas mas até aí são poupados já que o problema das letras pequenas mantém-se na mesma.
        Já me apareceram muitos PDF’s à frente em que para os conseguir ler confortavelmente tive de os ampliar tanto que precisaria de 3 monitores lado a lado para os conseguir ver em toda a sua largura… e estes PDF’s costumam estar definidos para o comum tamanho de página A4.

        E já agora, não são só os contratos que vêm em letra bem pequena… também nos muitos recibos que recebemos são utilizadas letras bem minúsculas inclusive de bens considerados essenciais como a água, electricidade ou telecomunicações… mas não só! E isto mesmo quando os recibos têm espaço em branco com fartura e mais do que suficiente para acomodar letras muitos maiores.

        O extremo da poupança de papel e tinta ou toner consegue ir bem longe: ainda no outro dia estive numa clínica e no final deram-me um recibo em tamanho A5 em que nem os óculos me valeram, tive mesmo de usar uma lupa quando cheguei a casa.

  2. Avatar de Zé

    Se fosse só isso. Quando comprei casa, pedi uma minuta do contrato uns dias antes da escritura para ler. O banco achou muito estranho. Nunca ninguém tinha pedido a minuta para ler antes da escritura e nem sabiam se podiam entregar. Obviamente que fiz finca pé e lá me deram a minuta uns dois dias antes.
    Mas será que alguém vai ler 20 ou 30 páginas numa escritura com toda a gente a olhar para nós? Já basta a escritura em si, quanto mais ficar a ler o contrato todo de fio a pavio. Já quando foi para contratar o “serviço de documentação” do banco devo ter feito perguntas a mais que ninguém sabia responder. No final de contas, passámos de um “o banco trata de tudo” para um “o banco preenche e o cliente tem de ir às finanças e à conservatória”. Não há nada como fazer as perguntas todas e pedir as minutas com tempo e horas.
    Quanto ao caso em apresso, é bem feito. Ainda deviam era lerpar umas multas e pagar indemnização aos clientes. Apesar de tudo, já fui cliente do BNP (compra de carro) e sempre foram absolutamente sérios, incluindo quando pedi para fazer reembolso antecipado. Mas a lei é a lei.

    1. Avatar de Dinis
      Dinis

      Eu li a escritura toda e o meu pai também… quis lá saber deles a olharem para nós lol

  3. Avatar de David Guerreiro
    David Guerreiro

    Curiosamente o acórdão do tribunal foi redigido em letra pequena

  4. Avatar de 36.71Hz
    36.71Hz

    Se gastam muito papel é porque não são ecológicos, se poupam papel é porque poupam papel…. As empresas que não comecem a ganha-los e impor-se que num futuro próximo logo vão ver como elas mordem.

    1. Avatar de Zé

      Os contratos/condições enviados por via eletrónica têm a mesma validade. Desde que não usem letra demasiado pequena. A Lei é para cumprir e a questão do papel é uma não questão. Desde que haja seriedade para informar os clientes devidamente, coisa que já sabemos que existe sempre 😉

    2. Avatar de Tretada
      Tretada

      Aqui há uns anos, um comerciante disse-me (informado por quem lhe fazia o software de facturação) que a razão das letras pequenas nos recibos que passava era de uma directiva comunitária cujo propósito era a poupança de papel…

  5. Avatar de Manuel Araujo
    Manuel Araujo

    Muito se tem falado nos contratos de seguradoras, energéticas e outras de outras atividades públicas, são especialistas em assédio agressivo, mas também criadoras de contratos abusivos, com as tais letras pequeninas para que os incautos não consigam aperceber-se de cláusulas escondidas. As empresas tugas são especialistas nesse tipo de práticas agressivas, sempre com intuito de enganar potenciais clientes. Não é por acaso que os gestores se socorrem sempre dessas práticas criminosas.

  6. Avatar de contraditorio
    contraditorio

    🙂 O Tribunal emitiu o Acórdão….aplicação no caso concreto…pagamento de custas por quem iniciou a instância…a Empresa vai cumprir neste caso (talvez)…e entretanto a cena continua a verificar-se em n empresas privadas e públicas 🙂 Se fizerem um levantamento às leis que existem neste “país” e às que não são cumpridas deviam ter a PJ ou o MP ocupados por 5 anos 🙂 Neste “país” quando encontras alguma coisa “mal” tens que ser tu a iniciar o processo, pagar e talvez ganhar 🙂 Se o teu vizinho verificar o mesmo facto a cena repete-se 🙂 Se a “justiça” fosse levada a sério qualquer ilegalidade detetada num caso judicial concreto teria aplicação geral e universal para o mesmo ordenamento jurídico em caso igual 🙂 Mas a “justiça” como outra área qualquer é uma questão meramente económica….exceto para aqueles que ainda acreditam no Pai Natal 🙂