Hackers copiam milhões de chaves de carros Kia, Hyundai e Toyota em segundos

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Existe uma séria vulnerabilidade, ainda por corrigir, que permite aos hackers copiar as chaves de milhões de carros Hyundai, Kia e Toyota. Conforme foi denunciado, este problema não é novo, mas ainda está por resolver. Nesse sentido, o problema poderá dar acesso aos veículos a quem tiver estes códigos. Em grosso modo, basta ter o equipamento certo para “snifar” o código do carro.

A Tesla “padecia” do mesmo problema, algo que foi mostrado em 2016. Mais tarde, em 2019, a marca lançou uma correção e resolveu de vez.

Imagem de equipamento que faz clone do sinal das chaves dos carros


Carros sofrem de vulnerabilidade séria

Investigadores da Universidade de Leuven e da Universidade de Birmingham descobriram uma grande vulnerabilidade. Em causas estão os sistemas de criptografia dos módulos dentro dos carros Kia, Hyundai e Toyota que se comunicam com as suas chaves, o que permite o acesso ao veículo.

O estudo explica que o problema está na forma como as três marcas implementaram o sistema de criptografia de um componente fabricado pela Texas Instruments chamado DST80. Assim, um hacker que use um par de Proxmark (dispositivo que permite “snifar”, ler e clonar dispositivos RFID) , um rádio Yard Stick One (um dongle radio que permite transmitir e receber sinais digitais em frequências abaixo de 1 GHz) e um Raspberry Pi poderia obter informações suficientes para decifrar o sinal e entrar no carro.

Imagem antena para hacker roubar carros

A Universidade de Leuven publicou um vídeo usando este método em 2018. Nele mostrou como o hacking é realizado num Tesla Model S que também sofria de vulnerabilidade. De referir que a Tesla ano passado resolveu esta vulnerabilidade através de uma atualização de software.

O método é uma reminiscência de filmes ou séries de hackers. Nas sagas os “piratas” conseguem captar informações dos dispositivos e usar nos carros. Bom, na prática, é tal e qual a realidade:

 

E quais são os modelos que sofrem deste problema?

A lista foi publicada no site Wired  e deixa preto no branco quais os modelos afetados.

HYUNDAI
  • i10: 2008 em diante
  • i20: 2009 em diante
  • Veloster: a partir de 2010
  • iX20: 2016
  • i40: 2013
KIA
  • Ceed: 2012 em diante
  • Carens: 2014
  • Rio: 2011 a 2017
  • Alma: 2013 na adelanet
  • Optima: 2013 a 2015
  • Picanto: a partir de 2011
TOYOTA
  • Auris: 2009 a 2013
  • Camry: 2010 a 2013
  • Corolla: 2010 a 2014
  • FJ Cruiser: 2011 a 2016
  • Fortuner: 2009 a 2015
  • Hiace: a partir de 2010
  • Highlander: 2008 a 2013
  • Hilux: 2009 a 2015
  • Land Cruiser: 2009 a 2015
  • RAV4: 2011 a 2012
  • Urban Cruiser: 2010 a 2014
  • Yaris: 2011 a 2013

Parte do problema está na maneira como as chaves de criptografia foram geradas e transmitidas e na possibilidade de fazer engenharia reversa do firmware. A Toyota, por exemplo, gerou as chaves usando um número de série que também é transmitido no sinal do controlo remoto, enquanto a Kia e a Hyundai usaram apenas 24 bits aleatórios, quando o módulo é capaz de usar até 80.

Imagem de chave que tem código vulnerável quer na Toyota, Hyundai ou Kia. Podem roubar o carro

Para entender o “facilitismo” deste método, numa entrevista, o professor Flavio García, um dos líderes do estudo, explicou que a obtenção de uma chave aleatória de 24 bits é obtida em alguns milissegundos com um portátil.

É como usar sistemas de segurança usados ​​nos anos 80.

Apesar de haver algum detalhe, o  estudo ocultou alguns pormenores sobre o método usado para hackear as chaves dos veículos mencionados. Além disso, um pouco para se perceber a razão destes “buracos”, é explicado que há uma grande dificuldade do lado dos fabricantes na resolução do problema.

Em todos os casos, é necessário que o proprietário do veículo vá a uma concessionária para reprogramar o módulo no veículo ou substituir as chaves. Segundo a Wired, nenhuma das três marcas está interessada em fazê-lo.

 

Leia também:

Ladrões roubam Tesla Model S “atacando os dados” da chave física do carro

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  1. Avatar de Leandro
    Leandro

    E eu fui no chaveiro esses dias e passei a tarde toda esperando ele codificar minha chave :/

  2. Avatar de Redin
    Redin

    Tecnicamente será assim tão difícil implementar uma solução equivalente a 2FA?

  3. Avatar de falcaobranco
    falcaobranco

    Mas lá está a velha questão… o hacker tem que estar muito perto da chave “fisica” senão não consegue fazer cópia do codigo… e além do mais deviam usar 3 modelos diferentes para termos a veracidade da situação e não um Tesla, cujo problema já foi solucionado!

  4. Avatar de Frederico Almeida
    Frederico Almeida

    Velhos tempos em que se usava uma calculadora de bolso para abrir carros…

    1. Avatar de Faisca
      Faisca

      Ainda podes tem é que estar “kitada”

  5. Avatar de Me and me
    Me and me

    O espanta é que as chaves usam “códigos aleatórios” que são gerados sempre que carregamos o botao, e o carro tem uma cifra única dele que supostamente não transmite, que verifica se o código é verdadeiro ou não.

    Existem chaves que tb usam técnicas anti-copia. Por exemplo a chave do meu 206 de 1998 se tentar copiar ela apaga-se automaticamente…

    Copiar chaves não é assim tao simples, vejam no YouTube os passos a dar para copiar com sucesso uma chave e depois falamos.

    1. Avatar de Ptiago
      Ptiago

      As chaves que estão aqui a ser faladas são aquelas que abrem e dão arranque por “aproximação”.. Não precisas carregar em botão nenhum da chave, basta tê-la no bolso e ao aproximar do carro ele abre a porta e autoriza o arranque… Normalmente essas chaves têm um raio de acção curto… 2-3m… E nestes casos a comunicação é bidirecional.

      1. Avatar de Me and me
        Me and me

        Seja como for penso que os códigos mudam de tempo a tempo e ambas as partes têm uma chave “mestra” unica que valida os códigos… Penso eu

  6. Avatar de Samuel MG
    Samuel MG

    Existem vários equipamentos (acho eu) que copiam a chave à distancia.