Hackers atacam com sucesso infra-estrutura crítica e desligam-na

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Não é recente o relato de ataques de hackers a infraestruturas críticas, sendo conhecidas algumas situações de sucesso, como por exemplo a hospitais ou a empresas fornecedoras de energia. Ainda se lembram do Stuxnet? Os objetivos desta nova ameaça são idênticos mas mais ambiciosos e destrutivos.

Hackers

Este novo relato, onde não foi revelada informação da vítima, mostrou que esta teve um resultado e consequências bem mais elevadas. As informações referem que é uma estrutura crítica e sensível nos Estados Unidos, provavelmente ligada à indústria da energia.

A porta de entrada deste ataque foi uma estação de trabalho da empresa, onde era executado o software Triconex, dedicado à tecnologia de segurança industrial e criado pela Schneider Electric. Após o conhecimento do ataque, foi enviado um alerta com recomendações de segurança para as entidades que usam o Triconex.

Hackers

Malware (industrial) Triton

Para conseguir as suas intenções, os hackers usaram um malware ao qual foi dado o nome de Triton, que terá sido descoberto apenas após uma falha, que terá levado ao encerramento da produção dessa estrutura. Este malware é na prática uma framework que foi desenvolvida para interagir com os controladores Triconex Safety Instrumented System (SIS), responsáveis pelos processos industriais. Ao tentar reescrever um controlador de segurança (os controladores SIS), foram apresentados valores incorretos, o que levou a que o sistema se desligasse por proteção de segurança.

Como se pode ver pelo esquema seguinte, os hackers conseguiram furar os mecanismos de segurança e aceder aos controladores SIS. A zona denominada de Distributed Control System (DCS), além de permitir a interação dos sensores e atuadores com os controladores SIS, permite também o acesso remoto, para monitorização e controlo dos processos industriais. Para o acesso remoto, por norma são usadas as Workstations dos engenheiros, que se encontram na zona IT (a zona da rede interna e que não está exposta diretamente ao exterior)… e foi a partir de uma máquina que foi desencadeado o ataque.

Componentes do ataque

Como referido, o malware TRITON foi instalado numa máquina de um engenheiro que tinha como sistema operativo o Windows. O malware foi assim batizado para ser confundido com a app legítima que se chama Triconex Trilog. Esta aplicação é usada para avaliar logs e faz parte do conjunto de ferramentas da TriStation. O malware consiste num script python, transformado num executável que faz uso da stack de comunicações, mais propriamente do protocolo TriStation, que é usado para a configuração dos controladores SIS. Dentro do .exe (trilog.exe podemos encontrar um conjunto de bibliotecas, o TsHi, TsBase e TsLow).

O TsHi é uma interface de alto nível que permite aos atacantes operar o ataque usando a framework TRITON. O TsBase é um módulo que contém a função que invoca o TsHiT e que na prática “traduz” as intenções do atacante em funções que fazem uso do protocolo TriStation.

Por fim o TsLow é um módulo de comunicação adicional que faz uso do protocolo de transporte UDP. Este módulo permite consegue avaliar a conectividade até aos controladores SIS, podendo descobrir os IPs dos mesmos, recorrendo à função detect_ip. Para tal, recorre ao protocolo ICMP.

Junto com um executável, existem ainda dois ficheiros binários, inject.bin (ficheiro com malware) e imain.bin (com a lógica de controlo “manipulada”).

Este tipo de ataque tem uma intenção clara, como no passado foi visto noutros casos, além do acesso a informação estratégica é confidencial, poderá ser parte de um objetivo bem mais destrutivo. Há quem diga que estes primeiros ataques procuram testar as ferramentas e até perceber se estas conseguem aprender sozinhas.

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  1. Avatar de int3
    int3

    acho que está mal escrito. Criminosos não são hackers 🙂

    1. Avatar de Pedro
      Pedro

      +1
      O termo hacker continua a ser entendido de forma a não distinguir o Dark Side do Light Side. Gostaria de ver nos títulos das publicações em geral, os termos black-hat e white-hat nos títulos dos artigos, bem como uma breve explicação do que é que é um e o que é o outro. Assim, quando um leigo na matéria ouvir o termo hacker e associar automaticamente a um criminoso, outra pessoa que conheça as duas faces do termo, pode (e deve) explicar que nem todos o são.

    2. Avatar de Alex Webster
      Alex Webster

      Qualquer um pode ser criminoso: “Talhantes atacam mercearia da Dona Augusta”… isso não significa que todos os talhantes sejam criminosos ou vice versa.

      Aliás, no artigo da Pplware não indica em nenhum sítio que: hackers == criminosos. Por isso, não vejo essa “urgência” em defender os hackers.

      1. Avatar de Jorge
        Jorge

        A ignorância mata.

        É mesmo que dizer pessoa mata pessoa, qual é urgência de defender as pessoas?

        Definitivamente demonstras desconhecesro significado do termo hacker!

        Mas sempre te digo que se podem fazer ataques informáticos em se ser Hacker!

        1. Avatar de Vítor M.

          Jorge, o Alex tem razão. Podem andar e desandar mas um hacker, preto, branco, verde, é alguém que extrapola os limites do funcionamento normal de um qualquer sistema. Além disso, os hackers, desde os “primórdios” da tecnologia são vistos como pessoas que modificam de forma ilegal algo que, com esse comportamento, causa dolo.

          Claro que há quem o faça de forma inofensiva, ou até de forma “académica” mas quem popularizou o “lado negro” desta atividade foi o crime 😉

          Agora, se querem ver as coisas de forma poética, romântica… sintam-se livres.

          1. Avatar de Jorge
            Jorge

            Se o Alex tem razão então o Alex tem razão!
            Qual poética qual carapuça!
            Um hacker não é criminoso um criminoso pode ser hacker!
            Mas um criminoso informático pode não ser hacker, certo?

            Tu, tal como o Alex, confundis os termos. A ignorância pode levar-nos a ver as coisas de forma errada , antes de Copernico e Galileu a ideia que se tinha do iniverso era ligeiramente errada. A ignorância é mesmo assim, leva-nos a olhar pelo que parece e não pelo que é 😉

            tal como o Pedro, muito bem disse. https://en.wikipedia.org/wiki/Hacker

            Quanto ao “dolo” ….. Ui, onde isso nos levava 😉

          2. Avatar de Vítor M.

            Estás a confundir a estrada da Beira com a beira da estrada. “Um hacker não é criminoso um criminoso pode ser hacker!” Certo, quem cometeu o crime foi um hacker, logo não lhe chames outra coisa.

            “Mas um criminoso informático pode não ser hacker, certo?” Imagina que sabes a passe do teu colega do netbanco e lhe roubas a conta, isso o que tem de hacker? E de crime?

            Eu não confundo nada, tu é que queres confundir as coisas. Por vezes não é ignorância sabes, essa confusão é meditada porque querem dar a entender que há crimes justos e crimes injustos… mas estás errado, ambos são crimes. Por isso, mais que ignorância existe um chico espertismo onde tropeças nesse link da Wikipédia 😉 até porque lá diz que “Hackers são necessariamente programadores habilidosos (mas não necessariamente disciplinados).”.

            Só falta agora vires com os “hackers brancos e os pretos”…. 😀

          3. Avatar de JJ
            JJ

            Hacker, é o termo mais comum usado e tanto se pode aplicar a quem tenta ultrapassar barreiras dos sistemas de forma ilegal, quer seja com boas ou mais intenções.

            Qualquer das formas, devido haver dois tipos de hackers e os dois quase se confunde, pode-se muito bem dizer que quem age com objectivo de causar dolo, tem o nome de Cracker.

            Ou seja, os hackers que usam os seus conhecimentos para fins de roubo e afins, serão mais adequadamente chamados de Cracker.
            Agora um cracker é um hacker, mas nem todos os hackers são crackers.

            Por exemplo, aqueles hackers que participam em concursos para encontrar falhas nos sistemas, a partida não são chamadas de crackers. Mas também será difícil saber se alguns também não serão crackers… Isto já será outra debate.

            Sendo assim, podemos dizer que os hackers que participam no que é mencionado no artigo… alem de hackers, são também crackers.

          4. Avatar de Vítor M.

            Podem, e não só. Mas há muitas zonas comuns e cinzentas entre os hackers e os crackers…

          5. Avatar de Jorge
            Jorge

            Pois é isso mesmo JJ.

            Muito das pessoas que confundem as duas coisas, fazem-no por diversas razões, por exemplo, ignorância, simplicidade, interesse, etc.

            Aposto que muitas das pessoas intencionalmente confundem as coisas ficam, e bem, chateados quando alguém confunde a árvore com a floresta, são daqueles quem vieram para a praça publica quando o Ventura generalizou (intencionalmente) o problema dos ciganos em Loures.

            Reafirmo: uma pessoa não é um criminoso, um criminoso é uma pessoa.

            Nos caso dos hackers há uma terceira premissa um criminoso informático pode não ser um hacker.

  2. Avatar de Fernando
    Fernando

    Aqui vai uma chamada de atenção ou uma opinião há todos deste especial website o qual têm a honra de nos enviar boas info de vários ponto do mundo. Com relação á este assunto, no meu ponto de vista, parece que os detentores de serviços de Cloud (azure, aws, etc) saem mais a ganhar visto que a lógica é colocar todo o pessoal na Cloud.

    Parece mentira mas o chamado é “Sua infra não tem muita segurança por isso estamos aqui para salvaguardar os teus dados”.

  3. Avatar de Jorge
    Jorge

    O que me intriga é como estas “ABANTEMAS” têm sistemas críticos ligados a redes inseguras. Ninguém é responsabilizado?

    O Bruce Schneier disse uma coisa do género: Se julgas que o teu problema de segurança é uma questão de tecnologia, ou ainda não percebeste o problema ou a tecnologia!

    1. Avatar de Ricardo
      Ricardo

      Se calhar para eles, antes deste ataque… a rede era Segura.
      Um prato está inteiro até que caia, e … olha partiu-se.

      1. Avatar de Jorge
        Jorge

        Lá está, aplica-se na perfeição o que disse o Bruce 😉
        O problema é que não redes que tenha ligações externas (directas ou não) que possam ser consideradas seguras!

  4. Avatar de falcaobranco
    falcaobranco

    A questão aqui é realmente cada vez mais ver-se pessoas a olharem para monitores de computadores e não terem a percepção do perigo que possam advertir de aplicações que supostamente conhecem… então sabendo que os computadores podem ser acedidos remotamente não têm que ter um cuidado redobrado?

    Enfim…

  5. Avatar de Malic X
    Malic X

    Ninguém preocupado com âmbito do artigo mas sobre a porra@ da utilização do termo hacker.
    Quer queiram quer não hacker é sinónimo de pirataria e crime. Ponto. O resto são fantasias de Natal.

    1. Avatar de Jorge
      Jorge

      No Sec XV defender o heliocentrismo era condenado com o crime de heresia. Pronto o resto eram fantasias …..

      Vamos lá: Romeno é sinónimo de ser cigano, Português é sinónimo de ser inculto. Pronto o resto são fantasias de mentes muito imaginativas

  6. Avatar de Ed
    Ed

    Aquilo que não é muito claro é porque é que foi dito que estas ferramentas são um teste em que as ferramentas possam actuar sozinhas, visto que isto não foi um ataque completamente informático no sentido em que alguem teve que infectar um dos computadores de um engenheiro (fisicamente?) e o malware também não parece ter nenhuma característica de propagação ou adaptação para outros sistemas e a utilização do mesmo causa o shutdown do sistema.

  7. Avatar de Ed
    Ed

    Aquilo que não é muito claro é porque é que foi dito que estas ferramentas são um teste em que as ferramentas possam actuar sozinhas, visto que isto não foi um ataque completamente informático no sentido em que alguem teve que infectar um dos computadores de um engenheiro (fisicamente?) e o malware também não parece ter nenhuma característica de propagação ou adaptação para outros sistemas e a utilização do mesmo causa o shutdown do sistema.

  8. Avatar de José
    José

    White-hats, Black-hats, Gray-hats acabam todos por fazer intrusoes que sao crimes informáticos. Tenham ou não boas intenções acabam por ser como quem salta um muro de uma casa, cometem uma intrusao para provar que o muro nao é seguro. Já ouviram falar em zero days? São falhas/bugs que em vez de serem comunicadas às empresas fabricantes desses sistemas são guardados como segredos e vendidos no mercado negro. É tão grave que ja existem govermnos metidos nesses mercados a utilizar zero days para espiar jornalistas, ativistas etc. Uma empresa italiana criou um software (white ;)) para ajudar a proteger sistemas que foi utilozado em várias zonas em que nao existem democracias para assassinar/prender politicamente jornalistas e ativistas. Conseguimos garantir que um white-hat nunca vendeu um zero day? Acho que não. Por isso nao existem intrusoes boas e más apenas intrusoes com efeitos incontroláveis. Um white-hat pode na sua boa vontade enviar um departamento de ti todk para o desemprego, isso não me parece ser muito bom.