Criminoso pediu uma troca de SIM em nome de outra pessoa e roubou milhares em cripto

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Com a introdução dos dois fatores de segurança, os números de telefone e as SMS, passaram a ser o último bastião de segurança dos mais variados serviços, incluindo os bancários e de criptomoedas. Imagine que alguém se fazia passar por si, conseguia uma segunda via do seu cartão SIM na operadora e passava a controlar a sua vida! No caso que mostramos hoje, a vítima ficou sem 60 mil dólares em criptomoedas.


Como é possível obter um cartão SIM sem ser o próprio cliente a pedir?

Apesar de em Portugal este golpe não ter expressão, lendo e acompanhando as notícias internacionais, percebemos que o golpe da troca de SIM tem aumentado. O resultado é facilmente calculável: as contas financeiras “secam” num piscar de olhos.

Sepehr Tahmasebpour era cliente da empresa canadiana de comunicações móveis, a Freedom Mobile, e estava prestes a saber que fraudes como as trocas de SIM podem atravessar a fronteira muito facilmente. O homem afirma que a Freedom Mobile entregou um novo cartão SIM a uma pessoa que se fazia passar pelo seu pai, a pessoa responsável pelo pagamento da sua fatura de comunicações todos os meses.

A empresa de comunicações entregou o cartão SIM a um participante, num golpe que começa a ser usual nalguns países.

Toda esta história vem agora a público, porque foi parar a tribunal. Temos de recuar a janeiro de 2021, quando um criminoso conseguiu uma segunda via do cartão de telemóvel do jovem canadiano e, com isso, começou a solicitar nalguns serviços a recuperação de palavras-passe.

Começou por solicitar a alteração dos dados do e-mail de Tahmasebpour. Depois, bloqueou o aceso do homem às suas contas e conseguiu roubar 60.000 dólares em bitcoins da sua carteira de criptografia.

Em 2023, a história foi parar a tribunal, pois Tahmasebpour queria responsabilizar a empresa de comunicação. Segundo o seu testemunho em tribunal:

Isso foi causado pelas ações e inações grosseiramente negligentes da Freedom.

Este argumento parece fazer sentido, uma vez que, sem o verdadeiro pedido do cliente, a empresa emitiu o cartão SIM.

Tribunal não permite que empresa de comunicação seja responsabilizada?

Lendo um pouco sobre a forma de atuar destes criminosos nalguns países, podemos depreender que existem duas formas de distribuir cartões SIM falsos.

A primeira, o ladrão paga a alguém que trabalha para a empresa de comunicações móveis para entregar novos cartões SIM a uma pessoa envolvida no esquema. Há testemunhos a referir que funcionários da T-Mobile receberam mensagens de texto não solicitadas que lhes ofereciam 300 dólares por cada troca de SIM que ajudassem a passar pelo sistema da operadora.

Isto deveria deixar a empresa e os seus clientes alarmados!

A segunda forma é alguém envolvido no esquema criminoso fingir ser o proprietário da conta e solicitar um novo cartão SIM a um funcionário da empresa de comunicações. Um funcionário aborrecido ou preguiçoso pode não se dar ao trabalho de solicitar um documento de identificação para verificar a identidade dessa pessoa.

Independentemente do método utilizado por um criminoso para obter indevidamente um cartão SIM que é posteriormente utilizado para roubar ativos financeiros, a empresa de comunicações que emite o cartão SIM parece ter alguma responsabilidade.

No seu processo judicial, Tahmasebpour e o pai argumentaram que a Freedom Mobile deveria ser responsabilizada por mais de 63.000 dólares para compensar o valor da bitcoin roubada, honorários legais e danos punitivos. A queixa salientava que a cobertura noticiosa anterior e os avisos da polícia deveriam ter tornado a Freedom Mobile mais cautelosa e mais atenta às trocas de SIM.

Apesar de a Freedom estar munida deste conhecimento, não tomou as medidas razoáveis e necessárias para evitar a ocorrência de um tipo de ataque semelhante.

Lê-se na queixa de Tahmasebpour.

De acordo com a CBC News, a Freedom Mobile conseguiu que um tribunal da Colúmbia Britânica suspendesse o processo, afirmando que a vítima tinha de resolver primeiro o assunto através do processo de arbitragem previsto nos termos de serviço do operador.

A Freedom solicitou a suspensão do caso em Setembro, argumentando que antes de intentar uma acção judicial, Tahmasebpour e o seu pai Alireza devem primeiro tentar resolver a questão através de um processo de arbitragem interno descrito nos seus termos de serviço.

Tanto o pai como o filho alegaram nunca terem visto, tomado conhecimento ou concordado com o documento.

Mesmo assim, o tribunal suspendeu o processo, impedindo os queixosos de serem reembolsados por quaisquer fundos que tenham perdido devido à negligência da Freedom Mobile.

Em Portugal e pela nossa experiência, as operadoras são rígidas nas regras. Quer ao nível pessoal, quer empresarial, os documentos são solicitados, assim como outras formas de confirmar a veracidade do pedido de novo cartão SIM. Mas… nunca devem facilitar!

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  1. Avatar de Zé Fonseca A.
    Zé Fonseca A.

    por cá também é possível dar a volta, seja como for quem é que no seu perfeito juízo usa SMS como 2FA ?

    1. Avatar de David Guerreiro
      David Guerreiro

      Acho que não é assim tão fácil alguém pedir uma segunda via de um cartão SIM não sendo o titular.

      1. Avatar de Zé Fonseca A.
        Zé Fonseca A.

        Tens razão, não é fácil pedir uma segunda via não sendo titular, o que é fácil é te fazeres passar pelo titular, alterares a morada e fazeres chegar uma segunda via na nova morada

    2. Avatar de Joao Ptt
      Joao Ptt

      Os bancos usam, e não é possível não usar em muitos casos.

  2. Avatar de Rodrigo
    Rodrigo

    Por isso nunca opto por autenticação de SMS removo sempre essa opção.
    É assustador com que facilidade se faz este ataque de SIM swapping, e em Portugal é uma brincadeira então.

    O ano passado fui a uma loja com um folha impressa do site do operador assinada e com cópia de CC e lá troquei o SIM de um familiar que me pediu para 4G pois tinha cartão antigo, fiquei parvo como foi tão simples nem olharam para a assinatura nem para a cópia do CC sai de lá com um cartão que em 2 horas já estava a funcionar.

  3. Avatar de Luis Vidigal
    Luis Vidigal

    Usem Yubico.

    1. Avatar de iDroid
      iDroid

      Estive a ver os preços; são dispositivos caros…

      1. Avatar de mb
        mb

        O problema nem é o preço. O problema é poucos sites implementarem este tipo de segurança. Então em Portugal é praticamente nula.

  4. Avatar de andre
    andre

    é incrível como entidades oficiais assumem a verificação SMS como algo seguro e sequer a sugiram.
    O pior são aquelas que dão tanta importância que passa até a ser possível fazer reset das outras seguranças com base apenas em SMS

  5. Avatar de Digo eu
    Digo eu

    Deve usar-se Google Authenticator, ou melhor, Microsoft Authenticator. Infelizmente principalmente nos bancos, ainda são poucos os que usam este processo, preferindo o SMS vulgar, vulnerável como se vê.

    1. Avatar de David Guerreiro
      David Guerreiro

      E agora com bancos a aceitar chave móvel digital, os bandidos começaram a tentar fazer phishing disso.

    2. Avatar de PeterJust
      PeterJust

      O Microsoft Autenticator é fixe, excepto se perdes o tlf ou os dados nele contidos e não há outro 2FA como método alternativo (SMS por exemplo), nunca mais tens acesso às tuas próprias contas, portanto, muito cuidado

  6. Avatar de Edumarquez
    Edumarquez

    Boa tarde.

    Têm conhecimento de alguém a quem tenha acontecido semelhante em Portugal?! Se sim, conseguiram resolver/recuperar o dinheiro perdido?!

    1. Avatar de Fofoqueiro
      Fofoqueiro

      É este aqui Sr Policia

      O copicat português

  7. Avatar de Luís Martins
    Luís Martins

    Há muitos anos atrás usava o Google Authentic ator quando precisei de mudar de telemóvel finalmente percebi como era difícil passar as configurações do Google Authenticator para o novo telemóvel com as carradas de site de crypto e outras aplicações que estavam protegidos por essa app, depois percebi se perdesse o telemóvel ou avaria-se o telemóvel era uma catástrofe, depois de analisar alternativas ao Google Authenticator optei por usar o Authy que é similar ao do Google mas tem duas grandes vantagens, pode fazer backups das chaves para a nuvem em modo encriptado e posso instalar o Authy no meu portátil sincronizado com o do telemóvel, é claro que o meu portátil está 100% encriptado e nem sequer arranca o Windows sem primeiro validar a password de encriptcao que está protegida pelo chip TPM Trusted Platform Module

  8. Avatar de Débora Fernandes
    Débora Fernandes

    Exatamente em 2021, o meu número deixou de funcionar e recebi a típica mensagem de quando se altera para a segunda via de cartão.
    Eram cerca das 22 horas e fiquei alarmada quando usei o telefone fixo para telefonar e o meu número tocava nas mãos de outra pessoa. No dia seguinte fui a uma loja da operadora onde me devolveram o meu número e inativaram o que nunca deveria ter sido ativado …. E espantem-se! Ninguém me soube explicar como é que permitiram que aquilo acontecesse! Colocaram um aviso e ordem de que uma segunda via do meu número só podia ser pedida por mim e em loja. Até hoje, nunca mais me aconteceu. Valeu para o susto.