Royal Navy é a primeira força a equipar um submarino autónomo com um relógio quântico

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A Marinha Real Britânica está a levar a navegação subaquática para uma nova era, combinando duas tecnologias de ponta. Pela primeira vez, um relógio quântico foi integrado num submarino autónomo, o XV Excalibur, com o objetivo de alcançar uma precisão de navegação nunca antes vista.


Aposta crescente em submarinos não tripulados

As principais marinhas do mundo estão a investir cada vez mais na incorporação de submarinos autónomos e não tripulados nas suas frotas. As razões para esta transição são diversas:

  • Servem como multiplicadores de força;
  • Permitem criar uma rede de vigilância oceânica muito mais vasta;
  • Patrulham áreas extensas a grandes distâncias da base;
  • E podem ser destacados para missões perigosas sem colocar em risco a vida de marinheiros ou de uma embarcação avaliada em milhares de milhões.

Os submarinos não tripulados oferecem vantagens significativas. São mais económicos de construir e operar, relativamente descartáveis em comparação com uma embarcação tripulada, e muito mais compactos, pois não necessitam de espaços para a tripulação ou sistemas de suporte de vida.

A sua autonomia é limitada apenas pela sua fonte de energia. Teoricamente, um submarino autónomo com propulsão nuclear poderia permanecer submerso desde o seu comissionamento até ao seu abate.

O calcanhar de aquiles…

Contudo, existe um grande obstáculo à ideia de um submarino permanentemente submerso: a navegação. Atualmente, a maioria das embarcações depende do GPS ou de sistemas parecidos para se orientar. Infelizmente, os submarinos não conseguem receber sinais de GPS enquanto estão submersos, nem aceder à maioria das outras referências de navegação.

Para contornar este problema, utilizam um Sistema de Navegação Inercial (SNI). Este sistema recorre a um conjunto de giroscópios, semelhantes aos acelerómetros de um smartphone, que, em conjunto com um relógio preciso, medem a direção e a magnitude de qualquer alteração de rumo ou velocidade.

Com base nestes dados e em cálculos de estima, o comandante consegue determinar a posição da sua embarcação. O problema? Um fenómeno conhecido como “acumulação de desvio”. Como os cronómetros e os giroscópios nunca são perfeitamente exatos, pequenos erros começam a surgir e a acumular-se, fazendo com que a posição calculada se afaste progressivamente da realidade.

Solução? Um relógio quântico de precisão atómica

Para resolver esta falha, a Marinha britânica está a testar sistemas de Posicionamento, Navegação e Cronometria (PNC*) quânticos, baseados no relógio atómico ótico Tiqker da Infleqtion. Em vez de utilizar cristais de quartzo vibratórios, este relógio quântico usa um único átomo de Rubídio-87, que vibra a uma frequência 10.000 vezes superior à dos relógios de micro-ondas convencionais.

Em termos práticos, isto significa que o relógio quântico perde apenas um segundo a cada 30 mil milhões de anos. Para fins de navegação, isto traduz-se num desvio de meros 1 x 10⁻⁶ graus por hora. Outra vantagem deste relógio é a sua compactação: mede apenas 30 litros e pesa 30 kg, tornando-o ideal para ser instalado numa pequena embarcação como o Excalibur.

Os testes no mar já demonstraram a sua integração bem-sucedida com os sistemas do submarino e a precisão dos seus cálculos de navegação. Os dados recolhidos serão partilhados com os Estados Unidos e a Austrália, no âmbito do tratado AUKUS.

Estou muito satisfeito por o nosso colaborador de longa data, a Infleqtion, ter conseguido testar o seu relógio atómico quântico a bordo do Excalibur.

Esta experiência foi um primeiro passo crítico para compreender como os relógios quânticos podem ser implementados em plataformas subaquáticas para permitir navegação e cronometragem de precisão em apoio a operações prolongadas.

O DCTO anseia por promover mais testes de tecnologias de navegação baseadas em quântica, como o Tiqker, a bordo do Excalibur, enquanto procuramos oferecer uma vantagem operacional quântica à Marinha Real

Afirmou o Comandante Matthew Steele, Chefe de Futuros no Gabinete de Capacidades e Tecnologias Disruptivas (DCTO, originalmente) da Marinha Real.

 

*PNC: como funciona?

  1. Uma constelação de satélites, como a do GPS, orbita a Terra e transmite continuamente sinais de rádio. Cada satélite inclui a sua localização exata e um relógio atómico de alta precisão.
  2. Um recetor GPS recebe os sinais de múltiplos satélites.
  3. Ao comparar o tempo em que o sinal foi enviado pelo satélite com o tempo em que foi recebido, o recetor pode calcular a distância a cada satélite (velocidade da luz multiplicada pelo tempo de viagem).
  4. Com as distâncias de pelo menos quatro satélites, o recetor pode usar a trilateração para determinar a sua posição exata em três dimensões (latitude, longitude e altitude).
  5. A precisão dos relógios atómicos dos satélites é crucial. O sistema permite que o recetor sincronize os seus próprios relógios de quartzo para obter uma cronometragem precisa.

     

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    1. Avatar de Telmo
      Telmo

      Essa tal “Royal” que tem quatro submarinos??
      Grande potência aquática, defacto.

    2. Avatar de Joao Ptt
      Joao Ptt

      Entretanto em Portugal não existe ninguém responsável por fornecer a hora oficial. Era o Observatório Astronómico de Lisboa, mas deixaram de ser e o Estado à boa maneira não designou nenhuma outra entidade.

      1. Avatar de Telmo
        Telmo

        Alguns dizem que Portugal esta a ficar uma Venezuela.
        Eu diria que em muitos aspectos estamos bem pior.
        Não ha ninguém ao leme.

        O trafego de carne humane, é para lá do imaginavel.
        Ninguém por parte do pseudo-governo reage.

        O Observatório deveria ser o local, mas também pode ser outro, o importante é que haja um oficial.