Estudantes portugueses criam guia de compras para cegos

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Depois da história do braille, chega-nos uma boa notícia, desta vez bem portuguesa.

A pensar em actividades tão banais como ir ao supermercado, dois alunos finalistas do Instituto Politécnico de Viana do Castelo criaram um guia de compras para cegos, tentando resolver um dos muitos desafios que esta faixa da população enfrenta diariamente.

guia_cegos

O projecto intitula-se Guia de Apoio à Navegação de Invisuais em Superfícies Comerciais e “permite apoiar um invisual na gestão optimizada da sua navegação numa superfície comercial, durante o processo de aquisição de bens existentes numa lista de compras pré-configurada”, explica Tiago Santos, finalista do curso de Engenharia Electrónica e Redes de Computadores e um dos mentores do projecto.

“Uma das tarefas mais complicadas que um invisual enfrenta no seu quotidiano é a visita a uma superfície comercial para fazer compras. Tendo em conta que há, todos os dias, novos produtos a chegar às prateleiras e que as suas posições no espaço sofrem constantes alterações, quisemos criar um guia especialmente dirigido a pessoas com deficiência visual”, acrescenta João Palma, colega finalista e mentor do projecto.

O sistema é capaz de gerar de forma automática um percurso optimizado considerando critérios espaciais, como a proximidade entre os produtos que figuram na lista de compras, minimizando a distância percorrida para os retirar da prateleira.

Muitos são os desafios que um cego enfrenta num supermercado, grande parte dos quais nem passam pela cabeça da generalidade da população não cega; carrinhos abandonados no meio do caminho, prateleiras escondidas, etc. Este novo sistema tira partido da tecnologia RFID, sendo colocados sensores no pavimento em pontos de decisão, ajudando o cego a orientar-se.

Foi ainda desenvolvido um dispositivo de leitura RFID que comunica com um smartphone através de uma ligação sem fios e que comunica com o utilizador utilizando sintetização da fala (text-to-speech), podendo este comunicar usando reconhecimento da fala (speech-to-text). Todas estas funcionalidades são baseadas nas frameworks disponíveis na SDK do Android.

O protótipo deste novo sistema já está desenvolvido e está actualmente a ser testado com utilizadores reais, pelo que se aguarda com expectativa o resultado final, que com certeza melhorará a qualidade de vida da população invisual.

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Comentários

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  1. Avatar de Pedro D.
    Pedro D.

    B-R-U-T-A-L!

    Espero que tenha sucesso…

  2. Avatar de Marcelo
    Marcelo

    Grande ideia…. continuem e boa sorte
    IPVC sempre em grande

  3. Avatar de André Viana
    André Viana

    ai entao foi isto que eu vi no lab de electronica!

    1. Avatar de Magno Campos
      Magno Campos

      Oh Viana, por acaso pensei o mesmo… quando vi a noticia pela 1ª vez.. 😀

  4. Avatar de Filipe Araújo
    Filipe Araújo

    Fico contente de cá encontrar uma noticia sobre a ESTG e em especial sobre o grande curso de EERC;)

    Muitos parabéns aos colegas pela ideia e que tenham muito sucesso com o projecto.

  5. Avatar de Melo
    Melo

    São estes os jovens que os nossos (des)governates convidam a abandonar Portugal.
    Parabéns pelo excelente projecto de inclusão social.
    Melo

  6. Avatar de Cláudio Esperança
    Cláudio Esperança

    Invisual não é o termo mais correto pois na realidade os cegos conseguem ver (podem é não o fazer com os olhos)… Cego ou pessoa com deficiência visual são termos mais bem aceites pela comunidade.

    1. Avatar de Vitor Afonso
      Vitor Afonso

      Para não ferir susceptibilidades também se pode dizer “pessoas com necessidades especiais ao nível da visão” pois esxistem pessoas com graves problemas de visão e que não são considerados cegos como casos de miopia muito acentuada por exemplo 😉

      1. Avatar de Maria Vieira
        Maria Vieira

        Invisual é um termo que caiu em desuso há muito tempo – incapaz de ver. As pessoas com def. visual (cegas ou não) não são incapazes de ver, porque podem “ver” de outra forma. É por isso que o termo “invisual”, continuamente utilizado nos meios de comunicação e por vezes em alguns estudos não deveria ser usado.