Ainda que os colaboradores de ambas as empresas possam protestar contra as mesmas nas marcas e desfiles de orgulho LGBT, não poderão de forma alguma fazê-lo enquanto representantes do Google, ou do YouTube. Por outras palavras, a empresa norte-americana está deixar um aviso bem claro aos vários Googlers.
De acordo com uma circular interna, a empresa considera que tal será uma violação do seu código de conduta.
Clarificando o tema, todo e qualquer colaborador do Google, ou da sua plataforma de vídeos, o YouTube, poderá juntar-se às marcas e desfiles do Pride month. No entanto, se o fizerem enquanto representantes, colaboradores ou vestindo a pele de qualquer cargo oficial dentro da empresa, sofrerão consequências.
A comunidade LGBT está contra o Google e o YouTube
Assim, nem o YouTube nem a Google querem que os seus colaboradores protestem contra as suas empresas. As consequências desta circular interna, entretanto, divulgada por algum colaborador, já se estão a fazer sentir. A comunidade LGBT está furiosa perante estas políticas e decisões da Google e do YouTube.
Contextualizando o leitor, recordamos o caso e polémica despertada pelo jornalista Carlos Maza, opondo-se ao youtuber Steven Crowder. Entretanto, o clima de crispação foi aumentando, repercutindo-se sobretudo nas redes sociais como o Twitter. Aí, publicam-se inúmeras críticas apontadas ao grupo empresarial.
https://twitter.com/Tri_Becca90/status/1143265475561791488
Em particular, o grupo Gayglers, grupo de colaboradores da Google pertencentes à comunidade LGBT chega a ir mais longe. Os seus integrantes lançaram uma petição a pedir a remoção de qualquer menção ao Google entre as empresas que apoiam as manifestações e marchas “Pride” com todo o patrocínio a ser devolvido.
https://twitter.com/Tri_Becca90/status/1143313992988811264
O mesmo grupo refere que alguns dos seus membros planeavam marchar pela Google, mas contra as recentes políticas do YouTube. Para tal, utilizariam t-shirts, cartazes, bem como outros meios para se identificarem enquanto colaboradores e, ao mesmo tempo, integrantes da comunidade LGBT.
A Google não permite expressões pessoais em nome da empresa
Já de acordo com a imprensa internacional, quando um dos colaboradores perguntou à empresa se tal seria tolerado, a resposta foi negativa. Esta fonte forneceu ainda capturas de ecrã em que se podia ler a troca de mensagens em que tal ficou claro.
Os colaboradores são livres de afirmar toda e qualquer opinião em nome próprio, com a exceção sendo o carro alegórico e balão patrocinado pela empresa. Não é permitida a utilização da nossa plataforma para expressar uma mensagem contraditória à que a Google quer veicular.
Por outras palavras, a empresa sonega assim a hipótese de uma possível associação a uma qualquer causa que não a prevista, estudada e publicada pela mesma. Uma cautela que não caiu bem junto da comunidade LGBT, aumentando mais a crispação que se tem vivido nos últimos meses.
Tudo começou com a plataforma de vídeos, o YouTube
Tal como referido acima, o desentendimento começou com as recentes ações do YouTube. Mais concretamente, a comunidade LGBT acusa a plataforma de vídeos de ser complacente com o YouTuber de cariz conservador, Steven Crowder. Um caso que, aliás, demos a conhecer em ocasião anterior no Pplware.
Almost tempted to join the @Google parade float after all, just so I can call their bluff on firing anybody who uses it to protest.
You want us to not use your (OUR) platform to send messages that contradict company statements? GET THE HATE SPEECH OFF @YOUTUBE.#NoPrideInYT
— Lilian 🌻 (@memnus) June 25, 2019
O YouTube, que também está na mira da justiça norte-americana, tem vindo a desculpar-se e a tentar acalmar os ânimos nas últimas semanas. Ainda assim, acaba por ser criticada por tolerar comportamentos vistos como ofensivos para a comunidade LGBT. Por outro lado, é criticada por perigar a liberdade de expressão alheia.
https://twitter.com/scrowder/status/1141786880071098370
Retomando a postura do Google e do YouTube, Sundar Pichai, CEO da primeira, já expressou publicamente o seu apoio a Susan Wojcicki, CEO da última. Já a comunidade LGBT apelida a recente postura da empresa de especialmente irónica, ou mesmo hipócrita. Para os googlers LGBT, a empresa não os representa.
O limite entre o pessoal e o empresarial
Note-se ainda assim, que não é conhecida a punição a que eventuais googlers estariam sujeitos caso utilizassem o carro alegórico da empresa para expressar outra opinião que não a definida pela própria. Ainda assim, isto só nos mostra que o politicamente correto nem sempre corresponde aos ditames empresariais.
De um lado temos a postura pública da empresa, bem como toda a sua frente pública. Do outro, temos grupos de cidadãos com os seus direitos. Já, no meio de tudo isto, provavelmente a empresa preferiu salvaguardar o primeiro, e seu, lado. Entretanto, o YouTube continua a tentar apagar fogos, só para criar outros ainda piores.
A plataforma de vídeos encontra-se agora numa crise de credibilidade. Já a empresa-mãe, deixa de ser vista como um ideal defensor de todas as posições e posturas. Até ao momento a Google não comentou o caso.

















