Vestíveis são menos fiáveis em pessoas com pele mais escura e obesidade

12 Comentários

Aparentemente, os sensores de luz dos dispositivos vestíveis, como o Apple Watch, são menos fiáveis quando utilizados por pessoas com pele escura e obesidade. Esta descoberta foi feita através de um estudo desenvolvido pela Florida International University.

Depois de tiradas as conclusões, a equipa quer testar a teoria em pessoas reais.

Imagem Apple Watch Series 7

De acordo com um novo estudo desenvolvido pela Florida International University e guiado pela professora Jessica Ramella-Roman, os sensores de luz utilizados nos dispositivos vestíveis são menos eficazes quando utilizados por pessoas com pele escura e com obesidade.

Para concretizar o estudo, a professora utilizou a técnica de fotopletismografia (em inglês, PPG). Esta mede o ritmo cardíaco tendo em conta a luz refletida pelo sangue. Além disso, a equipa da universidade utilizou técnicas para simular o movimento da luz sobre a pele de um hipotético utilizador. Dessa forma, percebeu como se comportariam os vestíveis em função da variação das propriedades da pele.

A pele mais escura tem uma maior concentração de melanina relativamente à pele mais clara, absorvendo, por isso, mais luz. Por outro lado, a pele das pessoas com obesidade tende a ser mais espessa, com menos acumulação de água e menos fluxo sanguíneo do que a das pessoas que não são obesas.

A professora explica que, apesar das diferenças, os estudos que existem sobre a fiabilidade dos sensores de luz dos vestíveis não incluem pessoas com obesidade nas amostras.

Professora Jessica Ramella-Roman da Florida International University
Professora Jessica Ramella-Roman da Florida International University

Conclusões que exigem mudanças nos vestíveis

O estudo, que incluiu dispositivos como o Apple Watch Series 5, polar M600 e o Fitbit Versa 2, concluiu que, em pessoas com pele mais escura, a resposta variava em menos de 10%. Todavia, quando a obesidade era incluída na equação, a exatidão diminuía em 60%.

À medida que o Índice de Massa Corporal aumentava e o tom de pele escurecia, o sinal diminuía.

Revelou a professora Jessica Ramella-Roman.

Agora, a equipa responsável pelo estudo dos vestíveis fará testes em pessoas reais, por forma a corroborar, ou não, esta descoberta. Para já, estão inscritas cerca de 100 pessoas.

Ainda assim, confirmando-se esta falha, as empresas terão de rever a fiabilidade dos dispositivos, para que estejam funcionais para todos.

 

Leia também:

Samsung explica o que aconteceu à sua linha Note e confirma Galaxy S22 em fevereiro

Comentários

12

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  1. Avatar de Fo
    Fo

    Que descriminação! Não há direito! Já não se pode ser preto e gordo!

  2. Avatar de Zed
    Zed

    Racistas, xenófobos! 😀

  3. Avatar de J. Lebre
    J. Lebre

    Não se admirem que obriguem a introduzir erro artificial nos resultados dos não obesos/escuros de modo a promover igualdade.

    1. Avatar de KeyboardWarrior
      KeyboardWarrior

      Esqueceram-se das pessoas lgbtqi…. Estudo mais tendencioso e discriminatório

  4. Avatar de R
    R

    Nada que não se soubesse, mas isto é ciência: verificar e quantificar.

  5. Avatar de Vasco
    Vasco

    Acredito que a maioria dos ensaios seja conduzida em países ocidentais e asiáticos, numa amostra predominantemente caucasiana ou asiática. Não creio que o problema se deva a racismo encoberto ou outro, mas sim ás características das populações predominantes nessas zonas do nosso planeta. E é muito bom que se descubram e estudem estas distorções para que possam ser devidamente corrigidas. Saímos todos a ganhar com isso, e em ciência nem deve ser diferente o procedimento.

    1. Avatar de Pedro L.
      Pedro L.

      Claro que em muitos casos será isso mas neste penso que deve ser tecnicamente mais dificil mesmo . Acho que americanos obesos devem fazer parte da amostra natural e não é por isso que deixa de funcionar pior.

      1. Avatar de KeyboardWarrior
        KeyboardWarrior

        Florida International University… Penso que a Florida seja nos Estados Unidos da América….. O que não falta lá são pessoas de todos os feitios e cores….. E tamnhos

        1. Avatar de Vasco
          Vasco

          Sim, mas note que o estudo foi feito lá. Os sensores que estão na base da tecnologia são desenvolvidos por centenas ou milhares de empresas e universidades localizadas essencialmente nos países desenvolvidos, e provavelmente os inputs usados no desenvolvimento desses sensores e nos algoritmos de interpretação poderão estar enviesados. Existem diferenças raciais e se a amostra de base não tiver em conta a diversidade de pessoas e ambientes em que será usada, os resultados podem muito bem ser ligeiramente enviesados. Repare por exemplo na questão dos sistemas de identificação facial, que anos atrás tinham dificuldade em reconhecer correctamente pessoas com um tom diferente de pele. Apenas um exemplo, existem outros.

  6. Avatar de Mamba
    Mamba

    a lua também é branca! Que racismo! Acho que devia haver uma lua preta, também!

  7. Avatar de traumatologia
    traumatologia

    Tem de fazer relógios específicos para o padrão de distribuição de peso (a pessoa pode ser obesa, com pulso fino, ou o contrário) e tipo de pele (existem várias)…

  8. Avatar de Rui
    Rui

    Já aprendi algo. Vestíveis. Nunca tinha ouvido/lido esta palavara.