Segurança espacial: E se um satélite for “hackeado” este ano?

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A humanidade nunca dedicou tanta atenção e investimento ao espaço como no último ano. Foram 365 dias de muitas novidades, quer ao nível da exploração espacial, quer mesmo ao nível dos serviços que servem as pessoas a partir dos satélites na órbita baixa da Terra. A questão que se coloca é: e se o alvo dos hackers passar a ser os satélites? Como seria recuperar um satélite se fosse hackeado?

Analistas de segurança espacial temem que com o número de satélites a crescer, também aumente a hipótese de um deles ser “atacado”. O ano de 2022 pode ser o ponto de viragem.

Ilustração de satélite hackeado


Primeiro satélite hackeado poderá ser já neste ano de 2022

Conforme referimos e acompanhámos, 2021 foi um ano explosivo para a indústria espacial. De acordo com a Union of Concerned Scientists, mais de 1.300 novos satélites foram colocados em órbita em apenas nove meses do ano transato. Tais números correspondem a mais 200 do que em todo o ano de 2020 e quase cinco vezes mais do que em 2019.

Este novo fenómeno deriva da comercialização do espaço. Entramos num nova era da corrida espacial. Ao contrário da década de 70, agora a competição geopolítica é complementada por um tesouro de empresas comerciais que competem para oferecer serviços que dependem de ativos espaciais.

Com a órbita baixa da Terra (LEO), onde reside a maioria dos novos satélites, a ficar lotada, configuram-se novos e desafiantes problemas para a gestão da segurança.

A maioria dos novos satélites no espaço são pequenos dispositivos, equipamentos com menos de 500 kg, com alguns a pesar menos de 10 kg. É aí que a indústria está a crescer, à medida que empresas como a Starlink começam a oferecer serviços como cobertura global de internet.

Com esta mudança, o risco de possíveis ataques aumenta, já que o impacto nos empreendimentos comerciais e governamentais também aumenta com a ativação dos serviços reais.

Disse Giovanni Pandolfi Bortoletto, cofundador e diretor de estratégia da Leaf Space, uma empresa de manutenção de microssatélites.

Imagem ilustração de satélite da SpaceX do projeto Starlink

 

Criptografia na base da segurança espacial

À medida que as empresas começam a perceber as ameaças que os ciberataques representam para os bens espaciais, é sugerido que os fornecedores de serviços de segmento terrestre e os utilizadores finais adotem com entusiasmo orientações de segurança cibernética. Uma tendência que só irá acelerar no próximo ano.

Há alguns anos, a criptografia e a autenticação não eram tão utilizadas, enquanto hoje em dia, a maioria das missões smallsat estão a defini-las como um requisito rígido da fase de conceção, solicitando também a adoção de métodos de confiança zero com terceiros envolvidos na cadeia de valor global.

Explicou Bortoletto.

A maioria dos satélites modernos são, na sua maioria, computadores complexos que orbitam a Terra. De acordo com Mathieu Bailly, especialista de segurança da CYSEC SA, os operadores de satélites irão lutar para aumentar a segurança do software com as primeiras missões a gerar valor pelos algoritmos levados a bordo no próximo ano.

Isto é, os equipamentos irão valer mais conforme a qualidade do software e das rotinas programadas. Quer isto dizer, que além do hardware, o software que está a bordo destes satélites é um bem que tem de ser muito bem protegido de terceiros, eventualmente dos mais diretos competidores.

Isto é de tal forma valioso que os especialistas já avançam que no próximo ano haverá as primeiras tentativas de apresentar projetos de regulamentação sobre segurança cibernética no espaço. Contudo, qualquer regulamentação abalaria a indústria, pois atualmente qualquer empresa é livre para enviar um satélite com capacidade de propulsão.

Será que 2022 verá o primeiro ciberataque sobre um sistema espacial divulgado publicamente? Ninguém pode dizer, mas estatisticamente, considerando o crescimento da indústria, é apenas uma questão de tempo.

Afirmou Mathieu Bailly.

Imagem liustração de um moderno satélite militar

 

Quem não é visto… não é lembrado

Este adágio popular vai chocar de frente com o que se passou em 2021.  Isto é, se houve interesse do público em geral nos assuntos espaciais, foi seguramente neste ano. Com isso, o alvo espacial é agora mais apetecido. Se bem estamos lembrados, 2021 assistiu a um tsunami de ataques de ransomware. No entanto, os satélites e outros bens espaciais não foram alvo de ameaças.

Portanto, com o passar dos anos e o crescente interesse, há uma maior probabilidade do desejo se virar para este segmento. E são várias as razões. Uma delas, é que a maioria dos satélites são máquinas antigas que funcionam muitas vezes com sistemas igualmente antigos. Estes sistemas não foram concebidos com a intenção de terem mecanismos de cibersegurança.

Só com leis rígidas, um policiamento eficaz poderá não tornar o espaço num caos. Imaginemos, por exemplo, uma constelação de satélites dedicados à segurança aeronáutica capturada pelos cibercriminosos. Seria o caos por cima das nossas cabeças.

 

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  1. Avatar de Utilizador-Confidencial
    Utilizador-Confidencial

    Não era a primeira vez, já houve satélites de telecomunicações de serviço televisivo foram alvo de piratagem tendo a emissão desses canais emitidos por satélite substituídos pela emissão dos piratas.
    Mas isto foi só feito por quem pode, não são os rui pintos.

  2. Avatar de Miguel
    Miguel

    Em 2022 pode ser a primeira vez mas não é nada de novo.

  3. Avatar de Sara (não o deserto)
    Sara (não o deserto)

    Nada de novo. Os chineses já hackearam a Lua, que é o satélite natural da Terra.

    1. Avatar de PeterJust
      PeterJust

      50 anos depois…