Os relógios atómicos mundiais já não seguem o ritmo da Terra, que está a acelerar
A Terra tem girado mais depressa nos últimos cinco anos, encurtando impercetivelmente os nossos dias. Esta aceleração misteriosa poderá em breve obrigar a uma revisão histórica do tempo mundial.
O seu smartphone mostra sempre a hora certa, é verdade, mas sabia que a Terra anda a “brincar” com os nossos relógios?
Desde 2020, o planeta tem rodado mais rapidamente sobre si próprio, criando microdesvios invisíveis que estão a intrigar os cientistas. Pela primeira vez, os metrologistas ponderam retirar um segundo intercalar até 2029, ou seja, acrescentar (ou subtrair) um segundo aos relógios.
Quando a Terra bate recordes de velocidade
Tal como explicamos, o dia 5 de agosto ficará na história como o mais curto de 2025. A Terra completará a sua rotação com 1,51 milissegundos de antecedência face ao ritmo habitual de 86.400 segundos por dia. Este feito ultrapassará os recordes de 9 e 22 de julho, que já eram os dias mais curtos do ano.
No entanto, tudo isto é apenas o reflexo de um recorde absoluto registado a 5 de julho de 2024, quando a Terra girou com 1,66 milissegundos de avanço, o mais veloz desde que existem medições científicas. Um feito impercetível para nós, mas suficientemente impactante para os relógios atómicos.
Se está a perguntar-se porquê, a aceleração da Terra resulta de uma combinação de fenómenos naturais: sismos, o afastamento gradual da Lua, atividade vulcânica e até o degelo provocado pelas alterações climáticas, tudo contribui subtilmente para este bailado cósmico.

Uma relojoaria mundial sob pressão
Por trás desta corrida planetária há um verdadeiro desafio técnico. O IERS (Serviço Internacional de Rotação da Terra) gere a sincronização global com recurso a 450 relógios atómicos, com uma precisão espantosa, menos de 10⁻¹⁴ segundos de erro.
São estas “sentinelas do tempo” que mantêm a civilização ligada à hora universal, independentemente dos caprichos do planeta.
Importa lembrar que, desde 1972, os cientistas já acrescentaram 27 segundos intercalados para compensar as variações naturais da rotação. Mas a aceleração atual obriga a algo inédito: retirar tempo, em vez de o adicionar.
Até 2029 poderá surgir um segundo intercalar negativo, uma mudança sem precedentes na relação com o tempo atómico.

Os meteorologistas admitem que precisarão de mais uma década, até 2035, para tomar uma decisão definitiva.
A causa desta aceleração continua por explicar.
Admite Leonid Zotov, especialista em rotação terrestre da Universidade de Moscovo.
A maioria dos cientistas acredita tratar-se de um fenómeno interno da Terra. Mais cedo ou mais tarde, a Terra vai abrandar.
Referiu Leonid Zotov.
Em resumo… no dia 5 de agosto, o mundo, tal como o conhecemos, será diferente, isto é, será um dia 1,51 milissegundos mais curto. E já agora, nesse dia, a Lua atingirá o seu ponto mais distante do equador da Terra.

















