Astrónomos descobrem nuvens de areia na atmosfera de uma estrela falhada

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Uma estrela falhada é, em grosso modo, um corpo celeste cujo tamanho está entre o de planetas gigantes como Júpiter e o de estrelas pequenas, não sendo grandes o suficiente para iniciar a fusão do hidrogénio no seu núcleo e possui baixa luminosidade. Sendo que a sua massa é superior à de um planeta, mas não tão massiva quanto a de uma estrela, as anãs castanhas são consideradas estrelas fracassadas.

Foi num estrela destas que o Telescópio Espacial James Webb encontrou nuvens de silicato na atmosfera. De acordo com uma equipa de astrónomos, esta foi a primeira vez que tal deteção foi feita num companheiro de massa planetária fora do Sistema Solar.


VHS 1256-1257 b: uma Anã Castanha que falhou o seu objetivo

Novas observações do Telescópio Espacial James Webb deram-nos a confirmação direta de que alguns mundos alienígenas têm nuvens de rocha.

Segundo a equipa responsável pelo super telescópio, estas novas informações constituem o melhor espectro até à data para um objeto planetário em massa. Estes resultados poderiam não só ajudar-nos a compreender melhor estas chamadas “estrelas falhadas”, mas representar apenas uma amostra do que o JWST pode fazer.

Já vimos a JWST tirar uma imagem direta de um exoplaneta, mas uma anã castanha é uma “caldeirada de peixe” ligeiramente diferente. Estes objetos, esta nuvem em volta acontece quando uma estrela bebé não acumula massa suficiente para desencadear a fusão de hidrogénio no seu núcleo, e ocupam o regime de massa entre os planetas mais massivos e as estrelas menores.

No entanto, cerca de 13,6 vezes a massa de Júpiter, as anãs castanhas podem fundir deutério, ou hidrogénio pesado – hidrogénio com um protão e um neutrão no núcleo, em vez de apenas um único protão (algumas, além de deutério fundem também lítio-7).

A pressão de fusão e a temperatura do deutério são inferiores à do hidrogénio, o que significa que as anãs castanhas são como estrelas ‘lite’.

Isto significa que, ao contrário dos exoplanetas, as anãs castanhas emitem o seu próprio calor e luz. É muito menos do que a das estrelas, obviamente, mas podemos detetá-la diretamente, especialmente nos comprimentos de onda infravermelhos em que a JWST é especializada.

 

Atmosfera com areia permite perceber o que falhou

As observações obtidas por uma equipa liderada pela astrónoma Brittany Miles da Universidade da Califórnia de Santa Cruz são de uma anã castanha a cerca de 72 anos-luz chamada VHS 1256-1257 b, descrita pela primeira vez em 2015. Os relatos referem que tem 19 vezes a massa de Júpiter, e é relativamente jovem, com uma atmosfera de cor avermelhada.

Esta tonalidade foi anteriormente atribuída a nuvens em anãs castanhas jovens, pelo que a equipa levou espectros de infravermelhos para ver se conseguiam determinar a composição da anã castanha.

A composição atmosférica do VHS 1256-1257 b foi semelhante, a equipa encontrou, a outras anãs castanhas estudadas em comprimentos de onda de infravermelhos, mas muito mais clara.

Água, metano, monóxido de carbono, dióxido de carbono, sódio e potássio são observados em várias porções do espectro JWST com base em comparações de espectros de anãs castanhas modelo, opacidades moleculares, e modelos atmosféricos.

Descrevem os investigadores no seu artigo submetido à publicação AAS journals, e está disponível na revista arXiv enquanto aguarda pelas revisões dos pares e pelo processo de publicação.

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  1. Avatar de Nuno V
    Nuno V

    Gostaria de sugerir uma alteração a esta frase:
    “No entanto, cerca de 13,6 vezes a massa de Júpiter, as anãs castanhas podem fundir deutério”
    Porque nem todas as anãs castanhas fundem apenas deutério. As mais massivas também conseguem também fundir lítio-7.

    1. Avatar de Vítor M.

      Verdade, obrigado Nuno pela informação. No artigo, contudo, não diz que elas fundem “apenas deutério”. Mas já havíamos falado nesse assunto: https://bit.ly/3d22GNd posso completar com o nosso exemplo também.

  2. Avatar de Octávio
    Octávio

    Mais conhecimento acumulado para juntar ao caldo de conhecimento que vai permitindo muito lentamente responder ás questões de onde viemos, para onde vamos e por qual caminho ir.
    Não percebo como existem idiotas que acham que o investimento no espaço é tempo perdido.
    Eu entendo que acabar com a fome seja mais importante de facto, mas isso nao deve impedir o resto.

    1. Avatar de Nuno V
      Nuno V

      As questões “de onde viemos, para onde vamos e por qual caminho ir” são mais do foro da filosofia do que da ciência.

      1. Avatar de Luis Henrique Silva
        Luis Henrique Silva

        Isso pensas tu.
        Muiyo temos de pensar e entender para onde vamos e de onde viemosm ou porque muito se pode responder a muitas questões até de saude se soubermos de onde viemos e para onde vamos.

        1. Avatar de Nuno V
          Nuno V

          Não é o que eu penso, é o que é. A ciência é um sistema que aquisição de conhecimento fazendo uso de hipóteses testáveis e com poder preditivo. As questões existenciais saem fora do seu âmbito. Quanto muito pode fornecer conhecimento á filosofia que depois pode ser aplicado a expandir essas questões, nada mais.

    2. Avatar de LuísC
      LuísC

      APOIADO!! SUBSCREVO!

  3. Avatar de Luis Henrique Silva
    Luis Henrique Silva

    Uma estrela falhada?
    E porque não uma estrela a deixar de ser estrela e passar a ser planeta.
    Quem sabe a Terra também já foi uma bola incandescente e arrefeceu.

    1. Avatar de Nuno V
      Nuno V

      A expressão estrela falhada é uma analogia. Isto porque as anãs vermelhas nunca foram estrelas. Usa-se esse termo porque nunca atingiram a massa suficiente para fundir hidrogénio-1. Daí o termo da estrela falhada. E bola incandescente não é sinónimo de estrela.