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Televisores Ultra HD valem a pena? Estudo analisou o nível de detalhe que os olhos veem

O mercado dispõe de cada vez mais alternativas em matéria de televisores, com resoluções surpreendentemente altas. Perante uma oferta tão abrangente, um novo estudo procurou perceber se os modelos Ultra HD, por exemplo, valem mesmo a pena ou se são exagerados para os nossos olhos.



Uma equipa de investigadores da Universidade de Cambridge procurou determinar o número real de píxeis que o olho humano consegue realmente perceber.

Com um monitor 4K móvel, que podia ser aproximado ou afastado do observador, os curiosos descobriram algo interessante e que vale a pena considerar, aquando da sua próxima compra.

Apesar de o olho conseguir detetar muito mais píxeis do que se pensava anteriormente, as televisões maiores têm frequentemente uma densidade de píxeis muito superior à que a maioria das pessoas consegue observar.

O testes para o estudo levaram à identificação do que os investigadores chamaram retinal resolution (ou “resolução retiniana”, em tradução livre), ou seja, o limite de píxeis além do qual adicionar mais píxeis não melhora a qualidade da imagem percebida. Este limite depende de vários fatores, incluindo o tamanho do ecrã, a iluminação da sala e a distância entre o espetador e o ecrã.

Segundo as conclusões do estudo, numa sala-de-estar típica, um espetador sentado a 2,5 metros de distância ficaria perfeitamente servido por um ecrã de 44 polegadas 2K/QHD, pelo que uma televisão do mesmo tamanho com resolução Ultra HD (4K ou 8K) forneceria simplesmente mais píxeis do que o olho pode detetar, oferecendo pouco ou nenhum benefício percetível.

Ultra HD pode não valer a pena…

Ao invés de guiar o estudo pelas especificações tradicionais de cada televisor, os investigadores testaram a capacidade dos participantes de detetar linhas em padrões de cores diferentes, medindo os píxeis por grau (em inglês, PPD), ou seja, o número de píxeis individuais que cabem numa porção de um grau do campo de visão do espetador.

Setup utilizado para o estudo. Fonte: Ashraf, M., Chapiro, A. & Mantiuk, R.K. Resolution limit of the eye — how many pixels can we see?. Nat Commun 16, 9086 (2025)

O padrão convencional de acuidade visual 20/20 sugere que o olho humano tem um PPD de 60 píxeis. No entanto, o estudo descobriu que este teste, que data do século XIX, subestima a perceção humana: os participantes com visão normal ou corrigida tiveram uma média de 94 PPD ao visualizar imagens em escala de cinza.

Além disso, os padrões vermelhos e verdes reduziram ligeiramente o PPD detetável para 89, enquanto as linhas amarelas e violetas tiveram uma pontuação ainda mais baixa, de 53 PPD.

Os nossos olhos são essencialmente sensores que não são tão bons assim, mas o nosso cérebro processa esses dados no que ele acha que devemos ver.

Explicou o professor Rafał Mantiuk, coautor do estudo, esclarecendo que o cérebro humano não consegue perceber as cores tão bem.

Os investigadores, que esperam que as suas descobertas contribuam para melhorar os padrões de fabrico na indústria de televisores, desenvolveram uma calculadora de resolução de ecrã online. Esta permite aos utilizadores determinar a resolução e o tamanho ideais do ecrã com base na sua disposição de visualização específica.

 

Ecrã do tamanho de uma pupila humana: resolução ultrapassa os limites dos píxeis!

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