Alzheimer: descoberto processo neurodegenerativo que leva à demência

5 Comentários

Foram realizadas novas investigações que trouxeram resultados impressionantes relacionados com o primeiro ponto de um processo neurodegenerativo que leva à demência, com especial foco no Alzheimer.

Investigadores da Universidade de Southwestern descrevem a descoberta como sendo o “Big Bang” da doença de Alzheimer. Espera-se que o trabalho leve a novos tratamentos e formas de detetar a doença antes que os principais sintomas se instalem.

Imagem processo que leva ao Alzheimer


Poderá ser o Big Bang no combate ao Alzheimer

Um novo estudo publicado esta semana na eLife foca-se na proteína tau. Esta poderá ser a nova linha de investigação: estudar os emaranhados neurofibrilares que podem acumular e até matar neurónios. 

Esta é talvez a maior descoberta que fizemos até agora, embora, provavelmente, demore algum tempo até que qualquer benefício se materialize ao nível clínico. Isso muda muito a forma como pensamos sobre o problema.

Referiu Marc Diamond, um dos principais investigadores deste estudo.

A investigação moderna de Alzheimer concentra-se numa proteína específica chamada beta-amilóide e suspeita-se que a agregação dessa proteína seja a principal causa patológica dos sintomas da doença. Mas, depois de uma longa série de falhas em testes clínicos de medicamentos destinados a atacar essas placas de beta-amilóide, alguns cientistas estão a voltar as suas atenções para outras investigações.

 

A TAU poderá ser a chave…

Esta nova investigação concentra-se numa proteína diferente, chamada Tau. Descobriu-se que estas proteínas Tau formam aglomerados anormais no cérebro, chamados emaranhados neurofibrilares, que podem acumular e matar neurónios. Alguns cientistas acreditam que esta é realmente a principal fonte causadora da doença de Alzheimer.

Até agora, não se sabia como ou quando estas proteínas Tau começavam a acumular-se em emaranhados no cérebro. Acreditava-se anteriormente que as proteínas Tau isoladas não tinham uma forma distintamente prejudicial, até que se começaram a agregar com outras proteínas Tau. Mas, nesta nova linha de investigação, foi revelado que uma proteína Tau tóxica, na verdade, apresenta-se de forma desdobrada, expondo partes que geralmente são dobradas no interior, antes de se começarem a agregar.

São essas partes expostas da proteína que permitem a agregação, formando os maiores emaranhados tóxicos.

Olhamos para isto como o ‘Big Bang’ da patologia Tau. Esta é uma maneira de olhar para o início do processo da doença. Isso leva-nos de volta a um ponto muito discreto, onde vemos o aparecimento da primeira mudança molecular que leva à neurodegeneração na doença de Alzheimer.

Referiu Diamond.

Idosa com Alzheimer

 

Há agora novos caminhos possíveis…

A partir daqui, a investigação está definida para ter dois caminhos de prospeção diferentes. Um primeiro olhar para o desenvolvimento de um teste de diagnóstico simples para detetar sinais desta proteína Tau anormal, seja através de um exame de sangue, ou um teste de fluido espinhal (que não é o ideal). Se estas proteínas tóxicas da Tau puderem ser facilmente detetadas, os clínicos poderão diagnosticar a doença de Alzheimer antes que os principais sintomas cognitivos degenerativos se instalem.

O segundo caminho de investigação que flui para fora desta grande descoberta envolve investigar tratamentos prospetivos de drogas que poderiam interromper o processo de agregação de Tau. Os cientistas apontam para uma nova droga chamada Tafamidis, como o exemplo interessante de um medicamento similar projetado para estabilizar uma proteína que pode acumular-se e causar sintomas adversos.

 

O Tafamidis foi desenvolvido para retardar o comprometimento da função nervosa causado pela agregação tóxica de uma proteína normalmente inofensiva, chamada Transtirretina, e está atualmente aprovada para uso na Europa e no Japão. No entanto, a FDA (Food and Drug Administration) pediu mais provas clínicas antes de aprovar o medicamento para uso nos Estados Unidos.

Agora que essa alteração inicial na forma das moléculas de Tau foi identificada, os investigadores podem concentrar-se mais efetivamente nos possíveis alvos de drogas para inibir as agregações tóxicas nesse estágio.

Esta nova abordagem está já a permitir que se estudem novos medicamentos que sejam eficazes no bloqueio do processo neurodegeneração… logo no início deste. Se funcionar, a incidência da doença de Alzheimer pode ser substancialmente reduzida. Isso seria incrível.

Concluiu Diamond.

Pese o facto de ainda demorar algum tempo até os resultados serem passados para o nível de tratamento, é já uma nova luz no combate a uma terrível doença que desde há 25 anos para cá tem aumentado a usa incidência.

Via

Partilhar:

Comentários

5

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  1. Avatar de Freitas
    Freitas

    Isto é que são excelentes notícias!

  2. Avatar de Franco
    Franco

    Mesmo boas noticias, finalmente alguma coisa no horizonte

  3. Avatar de Miguel
    Miguel

    Grande novidade… Já está mais que investigado que terapeutica antidemencial associada a vitamina d3, acidos gordos de cadeia média (40% a 60% do oleo de coco), 200mg curcumina dia +peperina (pimenta preta) são das melhores combinações para tratar e ate reverter alzheimer.

    1. Avatar de Joaquim Sobreiro
      Joaquim Sobreiro

      Mas isso é produto natural. Não se pode patentear, logo não dá lucro à indústria farmacêutica. Lucro é subsidiar estudos científicos que dirijam a recomendar medicamentos já existentes. Propaganda médica.

  4. Avatar de Joselito
    Joselito

    Mandou bem Pplware!