Um Mar de Robôs, um projecto nacional de sucesso

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Estamos a entrar na era da inteligência artificial que se começa a interligar de uma forma cada vez mais íntima com a robótica. Na verdade, esta é ainda uma área um tanto ou quanto desconhecida e intrigante para muitos de nós, mas há quem a veja como desafiante e os projectos de sucesso vão sendo reconhecidos.

É o caso do projecto desenvolvido pelo Instituto de Telecomunicações do Instituto Universitário de Lisboa e da Universidade de Lisboa, o A Sea of Robots, que acabou de vencer o prestigiado prémio de “Melhor Vídeo de Robótica” da competição de vídeos da Conferência Internacional em Inteligência Artificial. Mas perceba melhor em que consiste este projecto nacional.

A Sea of Robots


“A Sea of Robots” (Um Mar de Robôs) é o nome do vídeo do projecto nacional vencedor, apresentado em Phoenix, Arizona, EUA, a 15 de Fevereiro de 2016. O pequeno filme documenta o trabalho pioneiro dos investigadores na área da robótica e inteligência artificial, do Instituto de Telecomunicações do Instituto Universitário de Lisboa e da Universidade de Lisboa, que consistiu em desenvolver um swarm (enxame) de robôs aquáticos inteligentes que aprendem a cooperar entre si para cumprirem missões de forma completamente autónomas.

 

Robótica de enxame

A robótica de enxame tem o potencial de escalar para centenas ou milhares de robôs. Estes sistemas podem ser usados para cobrir vastas áreas, tornando-os ideais para tarefas como monitorização ambiental, busca e salvamento, e vigilância marítima.

A Sea of Robots -1

Este tipo de abordagem é uma mudança de paradigma: em vez de se utilizar apenas um ou poucos robôs caros e complexos, passamos a utilizar muitos robôs, simples e baratos. […] O controlo neste tipo de sistemas não pode ser centralizado. Cada robô decide por si próprio como executar a missão, coordenando-se com os robôs mais próximos

Explica o investigador principal Prof. Anders Christensen

 

Uma abordagem inspirada na Natureza

Os investigadores utilizaram abordagens inspiradas na natureza para conceber o enxame robótico. Em vez de programar os robôs manualmente para desempenhar uma tarefa, utilizaram algoritmos evolutivos para criar o software de controlo de cada robô. Estes algoritmos imitam a teoria da evolução de Darwin para gerar a inteligência artificial que controla cada robô de forma automática.

Os robôs, basicamente, aprendem a cooperar uns com os outros.

Cada robô é controlado por uma rede neuronal artificial, um “cérebro artificial” que lhes permite desempenhar tarefas de forma autónoma, sem ser necessário um operador humano ou uma estação de controlo central. A equipa demonstrou as capacidades do enxame robótico em várias tarefas coletivas, tais como monitorização de uma área, navegação em bando, agregação, e dispersão.

 

Quais os custos destes robôs

A plataforma robótica foi desenvolvida pela equipa de raiz através de técnicas de fabricação digital de forma a reduzir os custos.

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Cada robô custa aproximadamente 300€ por unidade. O casco dos robôs foi produzido com uma máquina CNC, e equipado com componentes impressos em 3D. Cada robô tem um GPS, uma bússola digital, pode comunicar com os robôs vizinhos através de Wi-Fi e o software de controlo corre num Raspberry Pi 2.

 

Para o futuro

A equipa encontra-se agora a desenvolver a segunda geração dos seus robôs aquáticos, que poderão ser equipados com diferentes tipos de sensores e usados em missões de longa duração no mar. Os enxames de robôs têm o potencial para substituir navios tripulados, reduzindo os custos e os perigos para as tripulações em muitas missões marítimas.

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O trabalho do grupo encontra-se actualmente em submissão para uma revista internacional, e a versão preliminar pode ser consultada aqui. O projecto foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

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  1. Avatar de cc
    cc

    Esses barquinhos sairam carotes mas bom trabalho!

    1. Avatar de José Silva
      José Silva

      São protótipos é normal que sejam bastante caros a produzir. A electrónica também parece ser tudo produtos off-the-shelf o que encarece certamente o protótipo, mas isto é um projecto de investigação e não um produto final. Já existem vários trabalhos na área de robots em enxame mas este é sem dúvida um conceito interessante.

  2. Avatar de yates
    yates

    Só um pequeno reparo, este projecto é com o Instituto Universitário de Lisboa, (ISTCE-IUL) não com a Universidade de Lisboa

    1. Avatar de Jorge
      Jorge

      O projecto é com investigadores do ISCTE e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, portanto o artigo está correcto.

      1. Avatar de yates
        yates

        Fui rever a equipa e tens razão , como estou tão habituado a ver a equipa toda no ISCTE esqueci me que havia elementos da UL