Intel vai despedir 34.000 funcionários e cancelar milhares de milhões em fábricas

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A gigante dos semicondutores Intel prepara-se para uma reestruturação profunda, com despedimentos em massa e o cancelamento de projetos de expansão na Europa. Estas medidas, lideradas pelo diretor-executivo Lip-Bu Tan, procuram reverter a sua delicada situação financeira e reposicionar a empresa no mercado.


Reestruturação profunda na Intel

A Intel anunciou um plano drástico para reduzir a sua força de trabalho em cerca de 34.000 colaboradores ao longo deste ano, o que representa aproximadamente um quarto do total da empresa.

A gigante tecnológica, que contava com 108.900 trabalhadores no final do ano fiscal de 2024, prevê terminar 2025 com apenas 75.000. Num memorando interno, o CEO Lip-Bu Tan classificou estas ações como “decisões difíceis, mas necessárias” para a sobrevivência e revitalização da empresa.

Esta reestruturação surge num contexto financeiro adverso, com a Intel a registar perdas trimestrais de 2,9 mil milhões de dólares sobre uma faturação de 12,9 mil milhões. Este é já o sexto trimestre consecutivo de prejuízos, a pior sequência da empresa nos últimos 35 anos.

Apesar de os resultados terem superado as expectativas de Wall Street, evidenciam a distância que a outrora dominante fabricante de processadores para PC tem agora para as suas rivais, como a NVIDIA e a AMD, especialmente no florescente setor da IA.

A ofensiva de Lip-Bu Tan, que assumiu a liderança em março, visa principalmente o que descreveu como um excesso de burocracia e uma estrutura de gestão inflacionada.

O tempo dos cheques em branco terminou. Cada investimento tem de fazer sentido do ponto de vista económico.

Escreveu o CEO. Como parte deste esforço, a empresa já incorreu em custos de reestruturação de 1,9 mil milhões de dólares no segundo trimestre, período no qual eliminou cerca de 50% dos seus níveis de gestão.

Expansão na Europa cancelada

Os ambiciosos planos de expansão da Intel sofreram um revés significativo. A empresa abandonou por completo o projeto de construção de uma “mega-fábrica” na Alemanha, um investimento de vários milhares de milhões que criaria 3000 postos de trabalho.

O mesmo destino teve a unidade de montagem e teste planeada para a Polónia, que previa empregar 2000 pessoas. Ambos os projetos já tinham sido suspensos em 2024, mas a nova liderança optou pelo seu cancelamento definitivo.

Nos Estados Unidos, a construção da fábrica de semicondutores no Ohio, um projeto de 28 mil milhões de dólares apoiado pela legislação CHIPS Act, será novamente abrandada. O diretor financeiro, David Zinsner, afirmou que o objetivo é “garantir que o investimento está alinhado com a procura do mercado”.

A conclusão da obra, inicialmente prevista para 2025, não deverá agora ocorrer antes de 2030.

Nos últimos anos, a empresa investiu demasiado e demasiado cedo, sem que houvesse uma procura adequada.

Explicou Tan.

Além dos cortes, a Intel está a redefinir a sua estratégia e cultura interna. A empresa desfez-se de unidades de negócio consideradas não essenciais, como a sua divisão de processadores para a indústria automóvel e a unidade de visão computacional RealSense. Simultaneamente, está a reforçar as políticas de trabalho presencial, com um plano para implementar o regresso obrigatório aos escritórios em setembro.

 

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Autor: Rui Neto
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  1. Avatar de Ricardo
    Ricardo

    O Elon Musk está diferente.

  2. Avatar de PorcoDoPunjab
    PorcoDoPunjab

    Quem viu a Intel e quem a vê…. Faz-me lembrar a BlackBerry.
    Da dominância à irrelevância.

  3. Avatar de Crdcro
    Crdcro

    Puseram-se a dormir à sombra da bananeira…

  4. Avatar de Manuel da Rocha
    Manuel da Rocha

    Acharam que iam continuar a vender, sem problemas. A estratégia de avanços falhou, e não foi por causa da IA.
    Nvidia subiu 900000 milhões de biliões, de dólares, nestes 10 anos, à boleia das criptomoedas. 72%, do volume de negócios, de 2014 a 2022, foi para mineração. Com a queda, da Rússia, e com o apertar da energia, nalguns países, voltaram aos jogadores, ao mesmo tempo que reduziam as unidades de “alta performance”. Com a AI, voltaram a ganhar fôlego, mais pelo lado empresarial, e dos que minavam criptomoedas, que podem vender, capacidade de processamento, ás empresas, como faz a Deepseek, chinesa, que comprou 800000 farms, no norte da China, que funcionavam com criptomoedas, faliram, por causa da subida de preço, da electricidade, e a obrigação de se transformarem em empresas, estão a suportar a Deepseek.

  5. Avatar de David Guerreiro
    David Guerreiro

    Perderam a corrida no mobile, o x86 em smartphones foi um fracasso. Ficaram para trás, com a AMD. Ficaram para trás em processo de fabrico com as outras foundries. Perderam a Apple como cliente. Cada vez há mais investimento em ARM e menos em x86.

    1. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      No mobile nunca tiveram na corrida
      A amd tem apenas 1/4 de quota de mercado da Intel, não me parece que tenha deixado ninguém para trás
      ARM sim matou a Intel e a sempre moribunda amd, começou com a Apple a mostrar o verdadeiro potencial e vai acabar com a NVIDIA a dar cartas em ARM para datacenters com capabilities AI, daqui por 10 anos vão ser os únicos players ainda no mercado dos CPUs e GPUs